«Este país está em desespero. Não acreditam? Um pequeno empresário da construção civil questionou-me hoje, francamente preocupado, se Portugal teria futuro. E mais me disse. "Acha que eu tenho hipóteses de singrar no estrangeiro?", foram estas as palavras.Em tom de brincadeira e provocação, respondi-lhe que teria muitas obras pela frente, agora que o TGV e a Ota iriam ser construídos.Pois o homem quase me insultou. Disse que aquilo, este "aquilo" eram essas grandes obras de engenharia do regime, só servia para encher o bandulho aos "amigos".
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E disse-me que estava a pagar mais impostos (agora passa factura por qualquer serviço, como deve ser), mas que esses, pelos vistos, nem sequer lhe daria para receber uma reforma, pois está falida a "caixa"; nem sequer dava para pagar salários aos "mamões do funcionalismo público" e carros do Governador do Banco de Portugal. Quanto mais pagar as empreitadas milionárias deste governo.Pois o homem, na casa dos 50, dizia-me que só via uma solução: emigrar com a sua família. E preocupado está, pois não fala línguas.Isto dá uma ideia do desespero do país. Um pequeno empreiteiro em dificuldades para ter trabalho. E só vê uma solução: pôr-se a milhas deste país que o viu nascer.E a verdade é esta. Desde quadros médios e superiores até gente simples e humilde, muitos ex-operários, os portugueses só sonham com uma "mala de cartão". Ir lá para fora para não "passar vergonhas."O que é sintomático. Dizia-me o homem, meio a sério, meio a brincar, que para ele deviamos era ser todos espanhois. Tese dele. "Se fossemos espanhois, já o país estava a ferro e fogo, e muitas bombas já tinham estourado". Para confirmar a tese dele, dizia: "Viu o general que quer levantar armas contra a independência da Catalunha"? Por cá, todos nós sofremos e calamos. É a água, a luz, os impostos, a gasolina e trinta por uma linha. E agora dizem-nos que daqui a 10 anos não vai haver dinheiro para as reformas. Que país é este?Há na realidade, em Portugal, uma situação pré-revolta social. E nestas coisas, pequenos sinais contam muito.
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Espanta-me a azia de muitos portugueses, alguns deles até com um nível de vida razoável, com esta estória do Adiantado Mental de ir de férias para a neve. Para o sky. Que isto era uma afronta para o povo.Um pequeno comerciante dizia na mesma senda. "Eu nunca iria de férias para a neve, se fosse políitico, e pedisse sacríficos aos portugueses." Por uma questão de elementar decoro. Dizia o comerciante que um político tem que dar o exemplo, assim como um patrão deve dar aos empregados. "Não há dinheiro, não há vícios". Contrapuz com a ideia que ele foi de férias com o dinheiro dele. Resposta pronta do comerciante: "se fosse com o dinheiro dele, não fazia uma operação à custa dos militares, porque partiu a perna enquanto cidadão!" E com esta é que me calou. E com alguma razão.Já sei que os portugueses têm a mania da inveja e mesquinhez. Mas, muitos deles não terão razão para tal? Isto é, como se pode dizer no mesmo dia que os investimentos faraónicos são necessários e, simultaneamente, dizer ao país que daqui a 10 anos não há reformas? Se a nós nos assusta um bocado, que dizer da massa anónima que até nem compreende que essa estória da falência da SS em 2015 até nem é bem assim?Este país está lixado. Todos o sabem e sentem. Mas, curiosamente, quase todos acreditam que virá algum "D. Sebastião" que lhes salvará do precepício. Neste caso, o Cavaco.O JPP dizia que a eleição do Cavaco era díficil de entender para alguma esquerda. Eu não sei se é mesmo assim. Quer queiramos, quer não, o Cavaco está na memória colectiva como o PM que trouxe alguma prosperidade aos portugueses. Pensam no Cavaco, pensam logo nos tempos em que havia dinheiro para estourar, sem tantos endividamentos. Pensam logo, na altura que empregos não faltavam, quem quisesse "vergar a mola". Logo, Cavaco = prosperidade.
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Temo bem que isto vai ainda dar que falar. O Cavaco pode ir para lá, pode mudar o desgoverno (e é bem corrido!), mas se não houver uma real vontade de mudança, rumo ao mercado e ao liberalismo, o país continuará na cepa torta. E, mais tarde, ou mais cedo, fortes convulsões sociais haverão.Esta última ideia passa na cabeça de muitos simpatizantes do Alegre. Correr com o Adiantado Mental, deixar o país na mão da direita e quando esta voltar a falhar, a esquerda retornará como verdadeira salvadora de Portugal.Se é assim, se não, não o sabemos. Mas se a direita vê o poder, novamente, ao seu alcance, mais rápido do que se julgava, a direita fez alguma "reciclagem"? Esta é a legítima dúvida. Porque, mudanças de poder são boas válvulas de escape social e político.
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Mas, por si só não resolvem os verdadeiros problemas de fundo.Está a nossa direita capaz de tomar conta de Portugal e fazer vingar verdadeiras "reformas económicas neoliberais"? Tenho dúvidas. O que sei é que a esquerda claudicou e finalmente tomou consciência da realidade inevitável: Portugal precisa de uma "reforma neoliberal". Porque, quando Soares admite os despedimento dos funcionários públicos excedentários e o desgoverno usa a falência da actual SS como forma de alavanca política e respectiva legitimidade, quer dizer que a esquerda cai em si e "aterrou". Já não vive na lua totalmente, nem sonha com "utopias do amanhã que cantam".Falta a direita concentrar-se verdadeiramente em aprofundar as suas ideias pró-liberais. Adoptará o liberalismo antes de chegar ao poder? Quem sabe?Mas, Portugal está desesperado. E sonha com uma "mala de cartão". como nos tempos do botas.Pobre e triste país o nosso.»
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O Referendo sobre a OTA e o TGV proposto naquele post do Blasfémias e enviado à assembleia da República é também apoiado pel'O Bom Senso.
1 comentários:
Oiçam lá: não se recomenda outros blogues vilacondenses? Olha-se para os links... e vê-se sempre os mesmos. Em 6 meses a blogosfera vilacondense deu um salto positivo e parece-me que não estão a acompanhar...
O pai já bai?????????? Já não publica um post...... há 6 meses.....
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