Tudo parece ter começado com o 25 de Abril de 1974. A revolta contra o regime instaurado em Portugal, que durava já 35 anos sob o comando do Prof. Oliveira Salazar, deu, posteriormente, azo a uma nacionalização massiva das empresas, à data radicadas em território nacional. Empresários que tinham arduamente trabalhado para erguer e manter as suas empresas perderam tudo. Houve até quem dissesse que a ‘revolução dos cravos’ foi a pior coisa que podia ter acontecido a Portugal. As pessoas, algumas instigadas pela ‘moda’, se lhe podemos chamar assim, manifestaram-se contra ideias de direita, certas que estavam que o socialismo ou até mesmo o comunismo, por oposição ao “fascismo de direita”, seriam as melhores vias para um Portugal democrático, de cara lavada. Não que o 25 de Abril não tivesse sido necessário; o problema é as consequências (inerentes a qualquer revolução) se terem prolongado até aos dias de hoje, onde esta mentalidade está ainda presente. Fieis aos ideais da revolução e aos seus princípios, muita da população continua agarrada a modelos fracassados de ideologias sem sentido e a um “clubismo partidário”.
O que é que isto tem a ver com a situação política e económico-social que hoje paira sobre a nossa Nação? Tem, senão tudo, muito a ver. Porque a persistência em escolhas políticas erradas foi (e é) o nosso problema. Quando outros países convergiam “prego a fundo” para o desenvolvimento e recuperação, Portugal engrenou a marcha-atrás e apostou em nacionalizações, num Estado pesado de “função pública” e controlador da Economia (em vários sectores). Tudo porque as escolhas políticas se têm revelado erradas: a escolha de políticos e as políticas destes.

Ao longo de vários anos só um primeiro-ministro levou a cabo medidas estruturantes de extrema importância. Falo de Cavaco Silva. Nenhuma medida passa em branco nos dois volumes da sua Autobiografia Política. Ao os lermos percebemos o que, de facto, este homem fez pelo seu país – principalmente nos seus primeiro e segundo mandatos; do que abdicou da sua vida, ao longo dos dez anos que serviu Portugal, em prol do país e de todos os portugueses (embora os louros de curto prazo desse período os tivesse tido o Eng.º Guterres, o senhor do “pântano”).
O que nos levou a este estado foram as medidas erradas que sucessivos Governos, apoiados em pressupostos e objectivos errados, tomaram. E quem são os responsáveis? Somos todos nós, portugueses. Porque ainda cremos em justiças e igualdades sociais patéticas, fomentadas por esquerdistas trotskistas-leninistas, porque queremos viver do que não temos, porque vivemos mesmo do que não temos como se o tivéssemos, porque cremos no Pai-Estado, sustentáculo de todos nas mais variadas contribuições e fundos, porque cremos num Estado Social (utópico?) irrealista.
Não somos um país rico ou (fortemente) desenvolvido, nem o poderíamos ser. Somos apenas o reflexo daquilo que (sempre) quisemos ser. Há quem fale, não numa crise económica, mas sim, cultural. Talvez seja obrigado a concordar. Vivemos hoje num tempo de crise de valores, de falta de ética e bom senso, e onde o principal pilar de uma sociedade ruiu: a educação. Enquanto não nos esforçarmos por o reconstruir, enquanto não apostarmos num sistema educacional alicerçado numa formação cívica e moral, continuaremos a potenciar um atraso estagnante. Essa empreitada é fundamental para “alargar horizontes” que acabem, definitivamente, com ideais e pressupostos esquerdistas completamente obsoletos, e fomentem, por conseguinte, uma economia competitiva e liberal, com um Estado menos interventivo.
Esse mesmo pilar - desígnio nacional - é tarefa de quem nos governa, mas não alheia à participação cívica de cada um de nós. J. F. Kennedy disse: “Não perguntem o que o vosso país pode fazer por vós, mas sim, o que vocês podem fazer pelo vosso país”. É esse contributo pessoal que temos que dar, porque o tempo urge.
Nuno Miguel Santos
* Artigo publicado no Jornal "O Semestre" da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica Portuguesa (Porto), Dezembro 2005
0 comentários:
Enviar um comentário