A Confirmação das Expectativas e a Decisão de Voto
“As Vacas Magras” de Mário Soares
O debate entre Cavaco Silva e Mário Soares, só confirmou, como Cavaco também referiu, o que já era visível desde o princípio da pré-campanha: Soares não tem ideias.
Soares deu a entender que ser presidente é apenas ser um moderador político, ou seja, as ideias que levam o povo a eleger o presidente não influenciam o exercício da sua magistratura. Repare-se no paradoxo onde Soares chegou: ele diz, e toda a gente sabe, que o presidente é um moderador; depois diz que Cavaco tem muitas ideias mas não as concretiza e, portanto, está a defender que é importante ter ideias e concretizá-las; e depois acusa Cavaco de querer ser primeiro-ministro porque tem muitas ideias! E ao mesmo tempo, depois de passar um debate inteiro a pedir a Cavaco para explanar as suas ideias, vai adiando a explanação das suas próprias ideias. Ou seja, também as tem e defende que cada um deve ter as suas (como todos os outros que acreditam na democracia).
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Conclusão: Mário Soares não diz o quer para o país, diz que Cavaco tem muitas ideias mas não as pode concretizar no cargo de presidente, no entanto diz que é necessário ter ideias para o futuro; depois diz que Cavaco, caso fosse eleito, iria obrigar o Governo a seguir as suas ideias e pergunta o que faria Cavaco se o Governo não as seguisse! Eu penso que nem no 2º Ciclo do Ensino Básico vi tamanha desordenação de ideias! O objectivo de Mário Soares resume-se a impedir que Cavaco ganhe, em vez de apresentar propostas ao país. É isso que ele tem demonstrado ao longo do tempo e foi isso que deixou claro no debate. Este debate arruinou a candidatura de Soares.
Repare-se que Soares já não tem noção do que diz: afirmou que Cavaco foi criticado pela generalidade da população durante a sua segunda maioria e passados 20 segundos diz que nessa situação teve que apoiar as minorias que estavam revoltadas com a política do Governo. Depois foi rude e mal-educado para com Cavaco como nunca antes eu tinha visto num debate de um país civilizado: disse que Cavaco era um economista “razoável” e pior que um colega seu (uma vergonha lastimável, fazer este tipo de afirmações e comparações sobre uma pessoa doutorada e reconhecida por diversas universidades mundiais), disse que lhe telefonavam “amigos” europeus a dizer mal da personalidade de Cavaco, disse que Cavaco só percebe de economia, que não sabe o que é a cidadania global, disse que Cavaco nunca falou da globalização (quando eu já estive presente numa conferência de Cavaco sobre este tema), disse que Cavaco não sabia conversar com as pessoas, e outras tantas barbaridades e injúrias durante todo o debate.
Cavaco foi educado de mais perante aquele cenário, mostrou a forte personalidade que tem e esteve sempre à altura das questões que os “três entrevistadores” lhe puseram: os dois jornalistas e Soares.
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Mário Soares pensa que fala para incultos e pessoas que votam naquele que fala mais alto e manda uns “bitaites” demagógicos. Mário Soares acabou por se atacar a si próprio. Mostrou perante todos que a única ideia que tem para o país é derrotar Cavaco: as ideias de Mário Soares são “vacas muito magras” para alguém que quer concorrer à presidência da República. Qualquer um dos outros quatro candidatos apresenta mais ideias para o país do que Soares. Este é arrastado pelo partido e por aqueles que recordam o seu passado como lutador político. Mas as pessoas têm de se convencer que o 25 de Abril já foi e é tempo de Portugal subir de nível; deixar a mesquinhice. O discurso de Soares foi baixo de mais para Cavaco. E um presidente da República não se quer baixo, quer-se alto, com valores, com determinação, com personalidade e convicções fortes. Isso não significa “armar-se em bom” ou “pensar que sabe tudo”. Essas são críticas de conversa de café. É necessário ter orgulho na pessoa que nos representa. Soares já não tem carisma, já não tem ideias, já não segue um raciocínio coerente. Factos são factos. Soares veio em mau tempo e vai arrepender-se. Acusou Cavaco de se querer vingar da derrota do PSD nas legislativas de Fevereiro de 2005, mas a verdade é que quem apresentou uma candidatura vingativa foi Mário Soares: como já disse atrás, o seu objectivo não é Portugal, é Cavaco, e isso não tem valor algum.
As Ideias de Cavaco
Cavaco, sim, apresentou propostas para o país. Propostas gerais, como é função de um presidente. Um presidente é eleito pelas suas ideias e pela sua personalidade para que depois possa, então, moderar a vida política recorrendo ao poder que lhe foi concedido pelo voto directo dos eleitores e de acordo com as ideias que apresentou na sua candidatura.
A ideia da economia é central para Cavaco porque é, de facto, central para o nosso futuro. Não me venham dizer que a união e o sentido patriótico é que vão dar de comer às pessoas! Cavaco defende que só com uma economia forte se pode alcançar o desenvolvimento. E o desenvolvimento é tudo aquilo de que nós, portugueses, necessitamos: desenvolvimento cultural, de recursos humanos, tecnológico. As empresas são o catalisador, palavra usada frequentemente por Manuel Alegre, do desenvolvimento. São elas que vão criar riqueza. Só com riqueza se constrói um país. Só com riqueza se chega à igualdade; não é partindo da igualdade que se atinge a riqueza. O problema está em encararmos o futuro como ele é: de longo-prazo. O futuro não é 2007, é 2015 ou 2020. Se desde que Guterres governou não se cria riqueza neste país, é necessário mudar. Como Cavaco diz, e reparem que não subscrevi a candidatura deste nem de nenhum candidato, apenas constato que dentro destes cinco candidatos, só um está preparado para assumir o lugar, é necessário criar competitividade. Esta palavra é importantíssima! Atente-se no que ela significa: é a capacidade de criarmos competências nas empresas, nas pessoas, nas tecnologias, que permitam competir, vencer e criar a tal riqueza para que o futuro da nação seja viável.
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Não há aqui dúvidas: Portugal não precisa de retóricas de união e fraternalismo, precisa de empreendedores, de lutadores, de uma juventude interessada na política, de uma educação de qualidade e que promova a formação cívica, de garantir os direitos adquiridos pelas pessoas e, ao mesmo tempo, garantir que os direitos dados aos recém-chegados ao mercado de trabalho sejam coerentes com um futuro equilibrado das finanças do Estado. O Estado é, neste momento, um fardo que cada português tem que suportar cada ano que passa. É necessário mudar este Estado inteligentemente. E Cavaco tem visão, tem percepção do que se está a passar no mundo. Votar Soares é passar “um cheque em branco” e sem cobertura: não tem ideias para mudar o país. Votar Cavaco pode não significar que o futuro seja maravilhoso mas é, sem dúvida, garantir que o representante da nação neste tempo difícil é sério, prático, observador, carismático e tem competência.
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No debate vimos que Cavaco teve resposta para tudo, mesmo quando estava a ser pressionado por três pessoas, e conseguiu conter-se e ser cordial. É triste assistir-se, no ano de 2005, a um debate de tão baixa qualidade. Apesar de tudo, Cavaco Silva manteve a postura e conseguiu no meio daquele ataque com uma só frente, apresentar as suas ideias.
Se houvesse dúvidas em quem (dos 5 candidatos) votar, elas desvaneceram-se na noite do debate.
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Luís Soares
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